segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O dinheiro não faz o estudo?

O dia de hoje é, provavelmente, um dos mais negros de sempre da história do ensino superior público em portugal. Segundo notícia do jornal Público, mais de 1200 estudantes cancelaram as suas inscrições nas Universidades de Coimbra (598), Minho (cerca de 500), Porto (145), entre outras instituições do ensino superior público espalhadas por todo o país. Apesar desta realidade, o governo não aceita que como causa a política redutora que assumiu em relação às bolsas atribuidas aos estudantes.
Por outro lado, e falando em particular na Universidade de Coimbra (aquela onde houve mais desistências) há que apurar responsabilidades em relação a uma associação académica que não se mostrou isenta em todo este processo, além de ter enganado durante meses, estudantes necessitados que dependiam da atribuição de uma bolsa de estudo para poderem continuar a estudar.
É igualmente importante realçar que esta associação académica se aproveitou da situação precária desses estudantes para fazer a manifestação de 17 de Novembro de 2010, cujo objectivo foi apenas eleitoralista, uma vez que a lista de continuidade venceu novamente as eleições, além dos estudantes que se encontravam nessa situação terem desistido de estudar. Isto implica, que os objectivos mesquinhos de meia dúzia de pessoas comprometeram de forma séria o futuro de centenas de estudantes, que viam nessa bolsa uma possibilidade de garantir para eles mesmos uma  melhor qualidade de vida quando acabassem o curso.
Neste momento triste da nossa universidade não podemos baixar os braços. Fazê - lo, significa deixar um governo desonesto violar direitos fundamentais, consagrados na constituição da nossa república. Por isso, se por esta altura já desistiram de estudar tantos estudantes, então amanhã podemos ser nós, aqueles que serão obrigados a deixar o ensino superior por falta de dinheiro. Os estudantes deveriam manter -se no ensino superior não pelas suas posses, mas sim pelo mérito que adquirem ao longo do seu percurso académico.

Fonte: Jornal Público, 31 de Janeiro de 2011

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